domingo, 1 de janeiro de 2017

A economia em 2017. As 10 grandes questões para os investidores

 Edgar Caetano
01 Janeiro 2017

"Esperem o inesperado". 
Esta é a primeira frase de um relatório de antecipação de 2017, de um dos principais bancos de investimento. 
Saiba o que vai mexer com a economia e com o investimento.



Os analistas dos bancos de investimento dizem que 2017 irá para onde for levado por Donald Trump e pelas eleições em França e na Alemanha. 
Mas estes não são os únicos riscos à entrada no novo ano. 
Conheça 10 das principais questões que vão mexer com a economia e com o investimento no novo ano.

Que Presidente dos EUA vai Donald Trump (realmente) ser?

Sabemos que Donald Trump venceu as eleições nos EUA e que o magnata irá assumir a Presidência no final de janeiro. Sabemos que Trump representa uma quebra em relação ao establishment e à política convencional. 
Temos boas razões para acreditar que Trump será um Presidente do EUA diferente dos antecessores, mas, na realidade, “ninguém sabe exatamente o que é que ele vai fazer“, diz o Commerzbank, numa nota de antecipação de 2017. 
“No novo ano, os investidores vão ocupar-se a descobrir quem é que os norte-americanos elegeram, realmente, para Presidente — até lá, apenas podemos trabalhar com palpites”, afiança o banco alemão.

Com mais ou menos fundamento, os principais palpites que temos à nossa disposição são três — e todos podem influenciar a trajetória da maior economia do mundo e, portanto, a trajetória da economia mundial. 
Em primeiro, é provável que Trump e o Congresso Republicano avancem com cortes nos impostos, tanto nas empresas como nos salários. 
A questão, aqui, é perceber exatamente qual será o chamado multiplicador do estímulo fiscal — por outras palavras, quanto é que o produto interno bruto (PIB) dos EUA vai crescer adicionalmente, por cada dólar de alívio fiscal?

A economia norte-americana é muito fechada sobre si própria – Trump pode reforçar isto – e muito dependente do consumo, portanto esta será uma questão crucial para o crescimento no EUA e para o desempenho das bolsas, sempre importante para o resto dos mercados mundiais. 
Igualmente importante será o planeado aumento dos investimentos em infraestruturas, mas existem muitas dúvidas sobre quanta margem de manobra é que o Congresso irá realmente dar a Trump. 
O impacto positivo para a economia norte-americana poderá, também, ser limitado pelas políticas protecionistas que Donald Trump diz que irá aplicar.

É muito raro que um único evento tenha um impacto tão profundo sobre as estratégias de investimento de longo prazo, mas é tentador acreditar que a eleição recente nos EUA tenha sido um momento marcante dessa dimensão.

Morgan Stanley Research


Europa. Que diferença um ano pode fazer. Que diferença fará 2017?

Depois do Reino Unido, com o referendo do Brexit, e dos EUA, com a eleição de Trump, em 2017 a incerteza política muda-se de armas e bagagens para a zona euro e, em especial, para França e Alemanha. 
Pode haver, também, eleições em Itália, onde está à espreita o Movimento Cinco Estrelas, e na Holanda, onde um candidato de extrema-direita, Geert Wilders, parece ter boas hipóteses de tomar o poder. 
“Ainda que consideremos improvável mais uma saída da União Europeia [depois do Reino Unido], não há como ignorar os riscos políticos que aí vêm”, escreve o Morgan Stanley.

“O descontentamento político alastrou-se da periferia para o centro e da esquerda para a direita. 
Forças centrífugas mais robustas vão dificultar a aplicação das reformas estruturais e institucionais que são necessárias e, também vão tornar mais difícil a entreajuda financeira” na Europa, acrescenta o banco de investimento. 
A principal preocupação é que a incerteza política penalize o investimento das empresas, de que os países europeus precisam como de pão para a boca. 
Se a atividade económica se ressentir, será ao BCE que se exigirá mais intervenção, mas chegará o momento em que os estímulos fazem mais mal do que bem (para alguns, esse momento já se atingiu há muito tempo).

Angela Merkel viu a popularidade cair devido à forma como foi gerida a crise dos refugiados e veremos se consegue novo mandato nas eleições de setembro. 
Mas o acontecimento mais importante é a eleição francesa, onde a Frente Nacional de Marine Le Pen concorre a exigir a saída da União Europeia. 
O sistema eleitoral francês, com duas rondas, tende a favorecer os candidatos mais centristas. 
Numa primeira volta, o voto de protesto poderá fazer-se sentir um pouco mais, potencialmente ajudando a Frente Nacional de Marine Le Pen. 
Mas caso a candidata da extrema-direita venha a defrontar o conservador François Fillon na segunda volta, este último poderá contar não só com o voto conservador mas, também, com o voto dos socialistas que, segundo as sondagens, podem ficar pelo caminho na primeira volta. 
Foi assim que Jacques Chirac venceu as eleições em 2002, por exemplo. 
Mas a incerteza é muito grande.

"Ainda que o Brexit não tenha penalizado o crescimento, os riscos políticos um pouco por toda a União Europeia não devem ser subestimados pelos investidores"

Morgan Stanley research


Otimismo em torno do Brexit terá sido prematuro?

Há duas grandes escolas de pensamento sobre a reação aparentemente tranquila das economias europeias e dos mercados ao referendo do Brexit. 
Por um lado, existem aqueles que acham que a saída do Reino Unido da União Europeia, sobretudo se for negociada de forma equilibrada, não é o bicho papão que se dizia — e a saída pode correr tão bem que até pode inspirar outros países. 
Por outro lado, há quem acredite que este otimismo ainda é prematuro, apesar de já terem passado mais de seis meses depois do voto.

O Credit Suisse escreve que “a nossa perceção é que a calma inicial se deve ao facto de o Brexit não ter acontecido ainda, em parte porque o governo ainda não elaborou totalmente a sua estratégia para este processo difícil”. 
O banco suíço acredita que “à medida que entrarmos em 2017, a incerteza para a economia britânica deverá refletir-se no adiamento do investimento empresarial e, possivelmente, um consumidor menos otimista“. 
Por um lado, a economia beneficiará de uma libra mais desvalorizada (animando as exportações) mas o aumento da inflação e a volatilidade nos mercados financeiros poderá contrabalançar alguns efeitos positivos.

Mas os problemas podem não terminar nas fronteiras do Reino Unido. 
“O Brexit terá, também, implicações significativas para o resto da Europa, a mais imediata das quais relacionada com o fator de distração política, com o dispêndio de tempo e energia nas negociações”, alerta o Credit Suisse, lembrando que “a primeira-ministra, Theresa May, prometeu ativar o Artigo 50 antes do final de março de 2017, pelo que a saída será um tema importante no debate antes das eleições francesas e alemãs”.

“À medida que entrarmos em 2017, a incerteza para a economia britânica deverá refletir-se no adiamento do investimento empresarial e, possivelmente, um consumidor menos otimista“.

Credit Suisse


O BCE vai ter de fazer o desmame dos estímulos na zona euro, não vai?

As fragilidades das economias europeias têm sido maquilhadas pela atuação do Banco Central Europeu (BCE), que em 2012 garantiu que “faria tudo o que for necessário” para preservar o euro e em 2015 lançou um programa inédito e controverso de compra de dívida pública (e pacotes de dívida privada). 
A promessa de 2012 foi o ponto de viragem na crise das dívidas soberanas e o plano iniciado em 2015 tem anestesiado os investidores em relação à maioria dos riscos de cada país da zona euro, porque o banco central está diariamente no mercado a comprar as obrigações e a suportar os seus preços, limitando os juros.

Mas 2017 é o ano em que tudo terá de mudar. 
Ou, melhor, 2017 é o ano em que tudo deverá mudar. 
O programa de compra de dívida terminava em março mas foi alargado até ao final do ano. Contudo, foi alargado a um ritmo menor — 60 mil milhões de euros em compras mensais, contra os 80 mil milhões que estão a ser comprados. 
Apesar dos esforços de Mario Draghi em lembrar que 60 mil milhões era o ritmo originalmente estabelecido para o programa (só mais tarde foi aumentado para 80 mil milhões), a redução das compras acabou por causar alguns calafrios nos mercados, que pela primeira vez se viram perante a evidência real de uma diminuição dos estímulos.

Em 2017, a pressão interna no BCE (por quem é contra os estímulos) e a previsível subida da inflação devem tornar mais difícil de justificar nova extensão. 
Mas, mais do que isso, o problema é que o BCE definiu para si próprios limites sobre que percentagens de dívida de cada país se pode comprar. 
E como o programa já foi acelerado e prolongado no tempo (duas vezes, agora), esses limites – que também já foram flexibilizados – tornaram-se mais constrangedores. 
Para Portugal, estima-se que os limites podem ser atingidos no verão. 
Contudo, “se a crise das dívidas soberanas ameaçasse regressar, o BCE iria certamente mudar as regras para evitar correr o risco de um desmembramento da união monetária”, acredita o Commerzbank. 
Até porque, recordemos, houve a promessa feita em 2012. 
“Mesmo assim, a incerteza em torno do futuro do euro deve aumentar em 2017“, diz o banco alemão.

"O medo de surgirem 'Trumps' na Europa existe, mas as mudanças na política do BCE serão um risco muito mais relevante para os mercados de dívida. O estreitamento des estímulos ["tapering"] vai tornar-se realidade no próximo ano, numa altura em que o BCE esgota os seus limites práticos e legais -- será um enorme ponto de viragem após cinco anos de uma política altamente expansionista".

Michael Leister, analista do Commerzbank


Alô, Brasil? 2017 pode ser o ano de (alguns) emergentes

Os analistas do Morgan Stanley dizem que “as perspetivas para os mercados emergentes podem ser melhores do que esperamos, dadas as melhorias no crescimento e a moderação das taxas de inflação”. 
Por outro lado, de um modo geral as economias emergentes podem ter incorporado demasiados riscos após a eleição de Trump e, portanto, há espaço para uma correção positiva caso não se confirmem os cenários mais protecionistas e/ou se o dólar não se valorizar tanto quanto alguns analistas admitem. 
Quando se fala em mercados emergentes, diz o Morgan Stanley, “as expectativas são tão baixas que deve ser fácil superá-las“.

Um dos mercados que está a ganhar alguns adeptos entre os bancos de investimento é o Brasil. 
Desde a saída de Dilma Rousseff, a bolsa de São Paulo virou e já ganha quase 60% em relação aos valores mais baixos do ano. 
E a cotação do real, o melhor espelho de como os investidores acham que a economia brasileira se está a portar, também recuperou — sobe mais de 25% em relação aos mínimos do ano. 
Como se explica esta recuperação? 
“A economia brasileira deve sair da recessão que se prolonga há dois anos e meio, graças a uma conjunção de políticas melhores e maior confiança na economia”, afirmam os analistas do Morgan Stanley.

Na mesma linha, o Credit Suisse admite que as dificuldades em alguns mercados emergentes se transformem em “círculos virtuosos” e num crescimento moderado. 
O banco suíço também destaca o Brasil, caso de um país que reduziu os desequilíbrios das contas externas e, portanto, já não está tão vulnerável a uma eventual subida do dólar e das taxas de juro norte-americanas. 
Ainda assim, quando se fala em emergentes, “um regresso às fortes taxas de crescimento antes da crise não parece muito provável, dado o crescimento mais reduzido na China, o elevado endividamento do setor privado e as pressões para reduzir os défices orçamentais”, sublinha o Credit Suisse.

"Se ruir o equilíbrio político que se formou desde a mudança de Administração em agosto, e se as reformas fiscais não forem aprovadas, acreditamos que isso pode gerar mais uma crise de confiança. Pelo contrário, uma boa execução das reformas irá gerar uma recuperação mais rápida"

Credit Suisse


No resto do mundo, o crescimento deve acelerar. Mas há riscos.

O crescimento da economia global deve acelerar em 2017, o que é mais um fator a incentivar a deslocação dos investidores das obrigações para as ações. 
Depois do crescimento de 3% que deverá registar-se em 2016, o produto interno bruto global deverá crescer 3,5% em 2017. 
O Morgan Stanley prevê uma aceleração um pouco menor, 3,4%, mas ainda assim será uma ótima notícia, diz o banco de investimento: “esta aceleração irá elevar o crescimento para um nível acima do potencial de longo prazo” de cerca de 3%, ou seja, vai aumentar a utilização da capacidade existente e o emprego vai aumentar, explica o banco suíço.

Ainda que as notícias para o crescimento devam ser boas, o risco é que atividade comercial mundial continue nas ruas da amargura, sobretudo com a tendência para a proliferação de políticas mais protecionistas. 
Ainda assim, após a vitória de Trump muitos analistas reviram em alta as estimativas para o crescimento norte-americano e, portanto, o crescimento do grupo das economias desenvolvidas deverá ser maior. 
Será importante a aceleração dos EUA, para o grupo das economias desenvolvidas, porque na zona euro a economia deve desacelerar de 1,6% para 1,3%, antecipam os economistas em média.

Nos emergentes, o crescimento deve subir de 4,1% em 2016 para 4,7% em 2017 (e 5% em 2018). 
“Um abrandamento na China será compensado por um crescimento consideravelmente mais robusto nos países exportadores de matérias-primas e na Índia”. 
Ainda assim, “a robustez da recuperação nos emergentes deverá ser testada pela valorização do dólar, as taxas de juro nos EUA e o risco de protecionismo” — além disso, há sempre o risco de os preços das matérias-primas, incluindo o petróleo, trocarem as voltas aos investidores e não subirem, como se prevê.

"As perspetivas de crescimento global e as políticas orçamentais dos países podem revelar-se mais robustas do que estamos, neste momento, a assumir para 2017. Por outro lado, o impacto do Brexit e a decisão do BCE de diminuir as compras de ativos podem exercer uma pressão negativa maior sobre a atividade económica".

BNP Paribas, em nota de análise


Ameaça de Vladimir Putin é cada vez maior

Por falar em mercados financeiros considerados emergentes, a Rússia deve assumir um protagonismo cada vez maior e os analistas dizem que Vladimir Putin será uma figura-chave em 2017. 
O ano de 2016 terminou com a disputa entre Barack Obama e o Kremlin sobre as alegadas interferências na eleição presidencial norte-americana. 
E, sobretudo após a tomada de posse de Donald Trump, um Presidente dos EUA que várias vezes questionou a importância da NATO, os investidores vão tentar perceber até onde vão as ambições de Putin e que impacto isso pode ter para as economias europeias.

“Os riscos geopolíticos para 2017 estão muito elevados. 
Nós, europeus, temos de reconhecer que enfrentamos um nível de risco de um confronto Ocidente-Rússia que já não víamos desde a década de 60″, afirma Adam Thompson, o diretor de um instituto de pesquisa chamado European Leadership Network, à Associated Press. 
Um fator que pode agravar o risco é, como explica Adam Thompson, que “muitas das regras de segurança que foram criadas já foram descartadas ou suspensas, portanto há menos regras e mais imprevisibilidade”. 
Está em risco a relativa cordialidade que marcou as relações do Ocidente com a Rússia, desde o fim da antiga URSS.

Há quem acredite que Vladimir Putin tenha ficado encorajado com a resposta pouco vigorosa que o Ocidente lhe deu após a anexação da Crimeia e, com um aliado do outro lado do Atlântico — Donald Trump –, é fácil antever que a Rússia irá exercer um protagonismo cada vez maior, como já se está a ver no papel assumidamente importante que está a ter no conflito na Síria. 
Para os mercados financeiros, isto é sinónimo de incerteza e de riscos geopolíticos que normalmente são plenamente capazes de paralisar as decisões de investimento nas bolsas e na economia real.

"Os europeus habituaram-se a 25 anos de paz e a estabilidade é algo que já é visto como normal, mas na realidade pode ser uma anormalidade dada a longa história de conflitos na Europa".

Adam Thompson, diretor do European Leadership Network


O euro pode cair para valer o mesmo que o dólar?

No auge da crise financeira, que rebentou nos EUA em 2008, chegou a ser possível comprar 1,6 dólares com um euro. 
Ótima altura para ir fazer férias aos EUA mas uma cotação péssima para a competitividade das empresas europeias no mercado mundial. 
Sem que o Banco Central Europeu (BCE) o reconheça explicitamente, a política monetária expansionista dos últimos anos tem como objetivo desvalorizar o euro e, assim, dar um impulso às exportações. 
Com expectativas de que o banco central dos EUA, a Reserva Federal, suba os juros várias vezes no próximo ano, a tendência será para o dólar subir e o euro cair. 
Os analistas dizem que vem aí a paridade entre as duas moedas.

A última vez que o dólar valeu o mesmo que o euro foi no final de 2002. 
O euro fechou 2016 a valer cerca de 1,05 dólares, mas a divergência das políticas monetárias entre os EUA e a zona euro deverá levar a que se regresse à paridade, depois de 14 anos em que o euro foi mais valioso do que a moeda norte-americana. 
Eis a previsão do Natixis: “A nossa opinião é que o dólar vai continuar a apreciar em relação às principais rivais, num contexto de um crescimento económico mais forte nos EUA (suportado pelo plano de Trump de estímulos orçamentais) e um aperto da política monetária significativo” pela Reserva Federal”.

Outro banco francês, o BNP Paribas, também aponta para a paridade no euro-dólar até ao final do ano. 
Este banco, contudo, já adianta que o euro vai voltar a valer mais do que o dólar em 2018, quando o BCE começar a descontinuar as compras de dívida e a política agressiva de intervenção nos mercados. 
O fim dos estímulos na zona euro pode inverter, em certa medida, a saída de capitais da zona euro que existirá caso as taxas de juro dos EUA aumentem.

"Se, como esperamos, a Reserva Federal aumentar a taxa de juro em 100 pontos-base (um ponto percentual) até ao final de 2017 e mais 100 pontos-base em 2018, isso irá levar a saídas de capitais para fora da zona euro, com os investidores a procurarem as rendibilidades mais elevadas".

Analistas de mercados cambiais do Natixis


Os bancos europeus, incluindo os italianos, vão finalmente dar a volta?

O governo italiano aprovou um pacote de resgate até 20 mil milhões de euros para recapitalizar os bancos do país, que carregam um fardo de créditos malparado que se estima superar os 300 mil milhões de euros. 
Os problemas da banca italiana são um dos filmes de terror infindáveis que têm criado dificuldades para a terceira maior economia da zona euro e que têm alimentado dúvidas sobre o futuro da união monetária.

Depois de um ano de 2016 cheio de contratempos na banca europeia — que começaram com a imposição de perdas a credores do Novo Banco no início do ano, passaram pelos problemas do Deutsche Bank no verão e acabaram com os resgates na banca italiana — a solução para o malparado em Itália pode ajudar a que 2017 seja um ano de estabilização no setor. 
É o que acredita, pelo menos, o JP Morgan.

A casa de investimento norte-americana decidiu levantar a visão “cautelosa” que manteve em relação aos bancos europeus nos últimos dois anos e, depois de este setor ter tido um desempenho inferior às ações europeias nos últimos anos. 
Existe uma perceção de que os juros baixos, que penalizam a atividade dos bancos, já tocaram o seu ponto mais baixo e irão acabar por subir. 
“A maré vai subir e levantar todos os barcos”, diz o JP Morgan, mas há “riscos políticos” e outros fatores que geram “volatilidade”, que obrigam os investidores a serem seletivos na escolha dos bancos em que investem.

"No geral, ainda que vejamos alguns fatores animadores para o setor bancário, acreditamos que o setor dos bancos europeus irá continuar vulnerável a riscos políticos em 2017, com os variados atos eleitorais (Holanda, França, Itália, Alemanha) a criarem um risco de inversão dos prémios de risco da dívida europeia"

JP Morgan


O cisne negro: E se a Internet estiver em baixo durante 24 horas?

Os investidores globais entram em 2017 com todos estes riscos latentes, que recomendam uma grande cautela e uma carteira de investimentos diversificada. 
Isto para reduzir o risco, ao mesmo tempo que o investidor se posiciona para beneficiar caso nenhum destes riscos se materializar e, eventualmente, se a prestação das economias e das bolsas superar o previsto. Contudo, como acontece frequentemente, o principal abalo para as bolsas vem de algo imprevisto, aquilo que nos mercados se chama um black swan, isto é, um “cisne negro”.

Depois do “cisne negro” de 2015 que foi o escândalo da Volkswagen e do “cisne negro” de 2016 que foram as dificuldades do Deutsche Bank, um dos principais receios dos bancos de investimento para 2017 está relacionado com a cibersegurança. 
Em 2016 houve vários episódios de ciberataques que deitaram ao chão, por momentos, servidores de grandes portais como o Twitter, a Amazon e o Spotify, e este voltará a ser um tema em 2017.

Uma consultora de cibersegurança chamada LogRhythm diz que toda a internet vai ficar em baixo durante 24 horas. 
“Em 2017, vamos ver algo a bater, à séria, algures”, afirmou à Business Insider James Carder, vice-presidente da consultora. 
“Se a Internet cair, os mercados financeiros vão afundar”, e a economia mundial irá ressentir-se, temem os especialistas. 
Este é um dos principais receios capazes de apanhar desprevenidos os investidores em 2017.

"Nós vimos os ataques DDoS (distributed denial of service) há alguns meses, que deitaram abaixo os serviços do Twitter e do Spotify por algumas horas. Estes foram apenas testes, criminosos a mandarem mísseis para o oceano"

James Carder, vice-presidente da consultora LogRhythm

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Casa Branca nega relatório Kerry discutiu medida de Israel de ONU com funcionário palestino

MÉDIO ORIENTE
Publicado 28 de dezembro de 2016 FoxNews.com
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A Casa Branca negou com veemência um relatório na quarta-feira de manhã afirmando que o Secretário de Estado John Kerry e a Secretária de Segurança Nacional Susan Rice discutiram a controvertida resolução da ONU condenando os assentamentos israelitas com um alto funcionário palestino dias antes do voto do Conselho de Segurança de sexta-feira.

Um site de notícias egípcio publicou pela primeira vez o que alegava ser detalhes da reunião com o funcionário palestino Saeb Erekat e outros.
De acordo com vários relatos da imprensa israelita, os documentos mostram que os funcionários norte-americanos discutiram o projeto de resolução com a delegação e concordaram em cooperar.
Ned Price, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, negou as reivindicações num tweet de manhã cedo.
Ele chamou os relatórios de "fabricação" e disse que a "reunião nunca ocorreu".

O próprio site do Departamento de Estado reflete que Kerry estava programado para uma reunião com Erekat no Departamento de Estado em 12 de dezembro, na época das discussões relatadas.
O site oficial, no entanto, não oferece detalhes sobre o que foi discutido.

Os relatórios vieram à frente de um grande discurso de Kerry sobre a visão EUA para paz no Médio Oriente.
Kerry naquele discurso defendeu firmemente a decisão dos Estados Unidos de se abster na votação do Conselho de Segurança da ONU de sexta-feira, que permitiu que a medida fosse aprovada.

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, em resposta, chamou o discurso de "distorcido" e reiterou que seu governo tem "evidência absolutamente incontestável" de que os EUA organizaram e avançaram a resolução.

Além disso, ele se referiu aos detalhes relatados na mídia egípcia como a "ponta do iceberg".

Autoridades israelitas dizem que têm evidência de "rígido" os EUA foram atrás ou envolvidos de perto no empurrão da resolução.

"Nós temos essa evidência ... nós vamos apresentá-la à nova administração, e se eles escolherem compartilhá-la com o povo americano, essa será a escolha deles", disse o embaixador israelita nos EUA.
Ron Dermer disse ao Fox News "Relatório Especial".
"É muito claro que os EUA orquestaram isso."

Ele disse que um ministro israelita ouviu "diretamente" que o vice-presidente Biden interveio para que a Ucrânia apoiasse a resolução e acrescentou: "A evidência que temos é muito maior do que isso".

A Casa Branca, no entanto, procurou explicar sua abstenção como tendo raízes nas preocupações de que os próprios assentamentos minam o processo de paz.
O porta-voz Eric Schultz também rechaçou as acusações de que orquestraram a votação.

"Os EUA não elaboraram esta resolução nem os EUA apresentaram esta resolução", disse ele em um comunicado.
"Os egípcios, em parceria com os palestinos, são os que começaram a circular um esboço anterior da resolução.
Os egípcios são os que o moveram para a frente na sexta-feira.
E tomamos a posição que fizemos quando foi votada. "

A Associated Press contribuiu para este relatório.

O discurso de Netanyahu critica Kerry defendendo votação da ONU como "desequilibrada"

MÉDIO ORIENTE
Publicado 28 de dezembro de 2016 FoxNews.com video
Israel disparou de volta ao secretário de Estado John Kerry na quarta-feira, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu criticando a longa repreensão televisiva de Kerry da democracia no Médio Oriente.

NOVA DISCURSO COM ISRAEL: KERRY DESTRÓI A 'AGENDA DOS COLONATOS' NO DISCURSO DEFENDENDO VÍDEO DAS NAÇÕES UNIDAS

Netanyahu, falando em Jerusalém pouco mais de uma hora depois do discurso de Kerry ter terminado, disse que a retórica de Kerry estava "tão desequilibrada quanto a resolução anti-Israel aprovada na ONU" na semana passada.

"O secretário Kerry prestou um bom trabalho para a implacável campanha de terror que foi travada pelos palestinos contra o Estado judeu", disse ele, acrescentando: "Os israelitas não precisam ser ministrados sobre a importância da paz pelos líderes estrangeiros".

CASA BRANCA NEGA KERRY MAQUINADO COM OS PALESTINOS ANTES DE NAÇÕES UNIDAS VOTAR

Autoridades israelitas disseram desde que a resolução do Conselho de Segurança foi aprovada na sexta-feira que os EUA desempenharam um papel secreto no desenvolvimento da proposta - acusações que os EUA negaram.
O governo de Israel ficou furioso depois que os Estados Unidos se absterem de votar a resolução, que considerava os assentamentos israelitas na Cisjordânia e Jerusalém Oriental uma violação do direito internacional.

Mas Netanyahu na quarta-feira fez a acusação mais firme - e mais alta - de que a América secretamente trabalhou para avançar a resolução.

"Nós temos isso em evidência absolutamente incontestável que os EUA organizaram, avançaram e trouxeram esta resolução ao Conselho de Segurança", disse Netanyahu, que prometeu compartilhar as informações "sensíveis" com a entrada do governo do presidente eleito Donald Trump.

Trump twittou seu apoio a Israel antes de Kerry até mesmo falar, e Netanyahu rapidamente retornou a boa vontade no Twitter: "Presidente eleito Trump, obrigado por sua amizade calorosa e seu apoio claro para Israel!"

Durante suas observações, Netanyahu novamente olhou para além da administração Obama e dirigiu a Trump.

"Israel espera trabalhar com o presidente eleito Trump e com o Congresso americano - democratas e republicanos - para mitigar o dano que esta resolução tem feito e, em última instância, revogá-lo", disse ele.

Netanyahu disse que enquanto ele buscava a paz, o seu homólogo palestino, Mahmoud Abbas Presidente, andou longe de ofertas de paz "e outra vez."

No início quarta-feira, Kerry provocou o confronto diplomático quando ele questionou o compromisso de Netanyahu de um Estado palestino.
Embora Netanyahu tenha dito que acredita na solução de dois estados, Kerry disse que o governo de Netanyahu é "o mais direitista na história de Israel".

"Se a escolha for um Estado, Israel pode ser judeu ou democrático, não pode ser ambos, e não será realmente em paz", disse Kerry.

Abbas em uma declaração "reiterou seu compromisso com uma paz justa e duradoura como uma opção estratégica", dizendo que os palestinos iriam retomar as negociações "no momento em que o governo israelita concorde em cessar todas as atividades de assentamento".

O gabinete de Netanyahu, no entanto, criticou imediatamente o discurso de Kerry como "distorcido contra Israel" e "obsessivamente" lidando com a questão dos assentamentos israelitas.

Netanyahu falou pouco depois que o gabinete do procurador-geral israelita aprovou uma investigação policial do primeiro-ministro em dois casos separados, informou o Times of Israel, citando o canal 10.
Um porta-voz de Netanyahu havia dito previamente a Haaeretz que o caso era "absurdo".

O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, também criticou o discurso de Kerry.

"Para coordenar as iniciativas anti-Israel com os palestinos na ONU e avançar uma resolução unilateral contra Israel no Conselho de Segurança é o oposto de apoiar Israel", disse Danon. "A administração Obama agiu contra Israel na U.N. e qualquer alegação em contrário é uma distorção da realidade".

Quase imediatamente após o discurso de Kerry, Netanyahu postou em sua página no Facebook uma imagem de 2008 da visita de Obama a Israel junto com duas legendas: "2008: candidato presidencial Barack Obama no Muro das Lamentações; 2016: A ONU chama o Muro Ocidental de "território palestino ocupado". "

"Sério?" Netanyahu escreveu.

Fox News 'Ben Evansky, Yonat Friling e Associated Press contribuíram para este relatório.

Kerry destrói "agenda de colonatos" na votação da ONU em defesa da liberdade de expressão

SECRETÁRIO DE ESTADO
Publicado 28 de dezembro de 2016 FoxNews.com
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Um desafiante secretário de Estado, John Kerry, defendeu na quarta-feira a decisão dos EUA de permitir que as Nações Unidas condenassem os assentamentos israelitas, enquanto criticava a chamada "agenda dos colonatos", que ele afirma estar prejudicando as perspectivas de paz. tensões inflamadas com Israel e desenhou uma reprovação imediata do primeiro-ministro.

Durante um discurso de despedida no Departamento de Estado, Kerry explicou a decisão da ONU em suas mais extensas termos ainda.
Ele disse que se tratava de preservar a solução de dois Estados, que ele chamou o único caminho para uma "paz justa e duradoura".

"Esse futuro está agora em perigo", alertou.

A abstenção EUA sobre a resolução do Conselho de Segurança da ONU chamando os assentamentos israelitas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental uma violação da lei internacional permitiu a medida passar Sexta-feira - e enviou a relação já turbulenta entre os governos Obama e Netanyahu em seu trecho mais árduo ainda.

Em uma declaração escrita, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu destruiu o discurso de Kerry como "distorcido".

"Como a resolução do Conselho de Segurança que o Secretário Kerry avançou na ONU, seu discurso esta noite foi enviesado contra Israel", disse ele.
"Por mais de uma hora, Kerry obsessivamente tratou de assentamentos e mal tocou na raiz do conflito - a oposição palestina a um Estado judeu em qualquer fronteira".

Em declarações subsequentes de Jerusalém, Netanyahu defendeu o compromisso do seu país com a paz e disse: "Os israelitas não precisam ser ensinados sobre a importância da paz pelos líderes estrangeiros".

Ele disse que espera trabalhar com o governo Trump para "mitigar" os danos da resolução e, finalmente, "revogá-la".

Enquanto as autoridades israelitas descreveram a abstenção dos EUA como uma traição, a administração Obama também enfrentou críticas bipartidistas de legisladores norte-americanos. O presidente da Câmara, Paul Ryan, disse nesta quarta-feira: "Depois de permitir que esta resolução anti-Israel passe a ONU, o secretário Kerry não tem credibilidade para falar sobre a paz entre israelitas e palestinos".

Kerry, no entanto, rejeitou na quarta-feira as críticas "que este voto abandona Israel" e descreveu a resolução como um apelo para que ambos os lados salvem a solução de dois Estados "enquanto ainda há tempo".

"Nós não tomar esta decisão de ânimo leve", disse Kerry.

Ele disse que a "construção de assentamentos permanentes" de Israel, e não a resolução, está arriscando a paz.

"Os amigos precisam contar um ao outro as duras verdades, e as amizades requerem respeito mútuo", disse Kerry.
Ele disse que os EUA "de fato votaram de acordo com nossos valores".

Em um discurso às vezes mordaz, Kerry continuou a explodir a "agenda dos colonatos" por supostamente empurrar Israel para a busca de um estado - que ele afirmou não poderia ser tanto judaico como democrático.
Ele chamou o atual governo de "mais direitista" na história de Israel e afirmou que sua agenda é "impulsionada pelos elementos mais extremos".

"O status quo está levando a um estado e ocupação perpétua", disse Kerry.
Usando linguagem apontada, ele disse que isso implicaria tratamento "separado", mas "desigual" para os palestinos.

Kerry condenou a violência palestina, incluindo centenas de ataques terroristas no ano passado, e disse que os líderes palestinos não fazem o suficiente para falar contra ataques específicos.

Mas a maior parte de seu discurso tratava da expansão dos assentamentos israelitas, em grande parte na Cisjordânia, enquanto delineava "princípios" para futuras negociações de paz - e negou que os EUA tivessem votado na semana passada.

"No final, não poderíamos, em boa consciência, proteger os elementos mais extremos do movimento dos colonizadores, na tentativa de destruir a solução dos dois estados.
Não podemos, em boa consciência, fechar os olhos às ações palestinas que aborrecem o ódio e a violência ", disse Kerry.

O discurso desencadeou uma nova rodada de repreensões do governo israelita.

O embaixador de Israel, Danny Danon, disse em um comunicado: "O governo Obama agiu contra Israel na ONU e qualquer alegação em contrário é uma distorção da realidade".

Netanyahu já descreveu a abstenção dos EUA que permitiu que a resolução da ONU passasse como uma "emboscada", e seu governo passou a acusar os EUA de terem ajudado a orquestrar a votação.

O governo israelita, por sua vez, voltou-se para nova administração do presidente eleito Donald Trump para o apoio, dizendo abertamente que estamos ansiosos para trabalhar com o próximo presidente, em meio laços desgaste com a administração cessante.

Nas horas antes do discurso de Kerry, o governo de Netanyahu deu outro tiro nos EUA, com o ministro da Segurança Pública Gilad Erdan chamando o discurso de Kerry de "um passo patético".

Ele disse à Rádio do Exército de Israel que "a intenção de Kerry é encadear o presidente eleito Trump".

Trump também criticou a administração no Twitter por seu tratamento de Israel, prometendo uma nova abordagem uma vez que ele foi inaugurado.

Na quarta-feira, Kerry também delineou o que ele descreveu como "princípios" que poderiam fornecer a base para novas negociações. Isto incluiu um retorno às fronteiras negociadas com base nas linhas de 1967 "com swaps equivalentes mutuamente acordados" - uma posição semelhante à posição declarada do presidente Obama há vários anos.

Ele pediu "dois estados para dois povos" com "direitos iguais para todos" e uma resolução para Jerusalém como a capital dos dois estados.

Ele disse que os EUA reconhecem os "profundos laços históricos e religiosos de Israel com [Jerusalém Oriental] e seus locais sagrados".
Ele disse ainda que entende que alguns assentamentos se tornariam parte de Israel numa futura solução de dois estados.

Kerry também negou veementemente reivindicações os EUA era a "força motriz" por trás da medida da ONU.

"Os Estados Unidos não elaboraram nem deram origem a esta resolução, nem propusemos isso", disse ele. "Foi elaborado e ... introduzido pelo Egito ... em coordenação com os palestinos e outros. "

A Casa Branca também negou nesta quarta-feira um relatório na mídia egípcia afirmando que Kerry e a assessora de segurança nacional Susan Rice discutiram a resolução da ONU com um alto funcionário palestino quase duas semanas antes da votação do Conselho de Segurança de sexta-feira.

Ned Price, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, chamou os relatórios de "fabricação" e disse que a "reunião nunca ocorreu".

Netanyahu, no entanto, reiterou quarta-feira que seu governo tem "evidência absolutamente incontestável" que os EUA organizaram e avançaram a resolução.
E referiu-se aos detalhes relatados na mídia egípcia como a "ponta do iceberg".

O próprio site do Departamento de Estado reflete que Kerry estava programado para uma reunião com o funcionário palestino no Departamento de Estado em 12 de dezembro, na época das discussões relatadas.
O site oficial, no entanto, não oferece detalhes sobre o que foi discutido.

A Associated Press contribuiu para este relatório.