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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Putin chamou ao exército ucraniano de "LEGIÃO DA NATO"

NOTÍCIAS  2015/01/26  -  16:23
Exército ucraniano é uma "legião estrangeira NATO", que "não visa os interesses nacionais da Ucrânia", disse o presidente russo, Vladimir Putin nesta segunda-feira ao interagir com estudantes da Universidade Nacional de mineral de recursos "Mountain" em São Petersburgo.

De acordo com Putin, o exército ucraniano apenas parcialmente consiste das Forças Armadas oficiais, e representam uma parte significativa dos chamados "batalhões de voluntários nacionalistas", relata  "Interfax" .

"Há um propósito muito diferente, e eles estão conectados com o cumprimento de metas geopolíticas russas de dissuasão, que não coincidem com os interesses nacionais do povo ucraniano", - disse Putin.

Ele também disse que Kiev se recusa a seguir o caminho da solução pacífica para o conflito no leste da Ucrânia, relata Tass . 
"Primeiros policiais usaram, em seguida, organismos do serviço de segurança, em seguida, o exército," - acrescentou. 
Segundo Putin, Kiev pararam de lutar enquando foram resistindo, mas usaram a "trégua exclusivamente pacífica para se reagruparem."

O Chefe de Estado observou que na Ucrânia existem "acontecimentos trágicos, de fato, uma guerra civil." 
"E na Ucrânia, na minha opinião, muitos estão bem conscientes", - acrescentou ele.

Na Ucrânia, muitas pessoas "já se afastam da mobilização" e tentam "permanecer" por um tempo na Rússia, disse Putin. 
"E com razão, porque eles são simplesmente empurrado para voltarem, como carne para canhão, contra as balas", - disse ele.

Putin lembrou que a permanência dos ucranianos na Rússia é limitado a 30 dias. 
"Eles voltam, e "batalham" e  de lá novamente, são expulsos pelas", - disse ele. 
De acordo com Putin, em conexão com a situação na Rússia a permanência de certas categorias de pessoas, especialmente em idade militar pode ser legalmente prorrogado.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Alemães querem travar compras do BCE

A ESTRATÉGIA DE FRANKFURT
Luís Reis Pires e Rui Barroso  luis.pires@economico.pt
24 de Janeiro de 2015
Desafio O dia que a Alemanha temia chegou.
Enquanto a generalidade dos líderes mundiais aplaude o programa do BCE, Berlim questiona a sua legalidade.

Todos apregoam a independência do BCE, mas a verdade é que ontem só o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, seguiu à risca a regra, recusando comentar o programa de compra de dívida anunciado por Mario Draghi. 
Foi o único. 
O resto dos líderes europeus e mundiais entretiveram-se a aplaudir o ‘quantitative easing’, enquanto na Alemanha choveram críticas e se contestou a sua legalidade. 
A chanceler alemã foi contida nas palavras, deixando as críticas mais ferozes para os deputados do seu partido e para o presidente do instituto Ifo, que prometem lutar contra o programa, arriscando minar a sua credibilidade.

O ‘timing’ pareceu quase propositado.
Cinco minutos antes de Draghi começar a anunciar, em Frankfurt, a compra de dívida soberana para aumentar a liquidez na zona euro e estimular a economia,
Merkel iniciou o seu discurso no Fórum Económico Mundial, na região suíça de Davos. 
A chanceler alemã disse haver “ampla liquidez no mundo” e avisou: “A decisão do BCE não pode afastar-nos do caminho” das reformas necessárias.

Como viria a explicar Mario Draghi alguns minutos depois, não é isso que o BCE pretende com o ‘quantitative easing’.
 “Seria um erro os países pensarem que este programa é um incentivo à expansão orçamental”, disse o presidente da autoridade monetária, frisando que os Estados-membro
da moeda única devem continuar o caminho das reformas, para que o impulso da política monetária seja transformado em crescimento sustentado a prazo.
Essa é, aliás, uma preocupação dos líderes das principais instituições mundiais, mesmo aqueles que mais têm defendido a compra de dívida. 
Christine Lagarde, por exemplo, directora do FMI, frisou que “é fundamental” que a iniciativa do BCE seja “suportada por reformas estruturais”.

Para a Alemanha, porém, não é isso o mais importante. 
O maior problema é a partilha do risco dos países mais fracos da moeda única, que é algo que os alemães não querem. 
E se Merkel foi contida nas críticas, o mesmo não se pode dizer do resto do seu partido. 
Peter Gauweiler, deputado da CDU, afirmou que “a Alemanha não pode ser forçada a aceitar a responsabilidade de compras de dívida pública de outros Estados sem a autorização expressa do Bundestag”, o Parlamento alemão.
“O senhor Draghi até pode ir para a política em Itália ou ser eleito para o Parlamento Europeu, mas, neste momento, ninguém o elegeu para tomar decisões de política económica em nome dos povos da Europa”, frisou, acrescentando que a sua equipa jurídica está já a preparar uma queixa nos tribunais.

E terá o apoio do presidente do instituto económico Ifo, Hans--Werner Sinn. 
“Isto é o equivalente ao financiamento ilegal dos governos através da impressão de dinheiro”, criticou o economista.
As tentativas da Alemanha para travar o ‘quantitative easing’ podem vir a minar a confiança dos investidores no programa, mas para já os mercados recebem a notícia com entusiasmo.
As taxas de juro da dívida da periferia acentuaram as quedas após as palavras de Draghi, enquanto as bolsas europeias fecharam em alta e euro renovou mínimos de 11 anos. ■

Como vai funcionar o programa alargado de compra de dívida

A ESTRATÉGIA  DE FRANKURT
Rui Barroso e Luís Reis Pires  rui.barroso@economico.pt
24 de Janeiro de 2015
Política monetária Até, pelo menos Setembro de 2016, o Eurosistema comprará activos no valor de 60 mil milhões por mês. 
BCE vai partilhar 20% do risco da compra com bancos centrais.

Numa decisão antecipada pelo mercado, o BCE não desiludiu.
Anunciou umamedida de choque, conhecida como a bazuca dos bancos centrais, que consiste na compra de dívida pública. 
Estas aquisições juntar-se-ão a programas de compras de dívida titularizada e de obrigações cobertas que o banco central já tinha em curso.
No total, as aquisições por parte do Eurosistema serão, a partir de Março, de 60 mil milhões de euros por mês. 
O programa irá durar até, pelomenos, Setembro de 2016.

COMO VAI O BCE FAZER AS AQUISIÇÕES DE ACTIVOS?
As compras de dívida soberana serão feitas pelos bancos centrais de cada país. Apesar disso, 20% do total das compras terá um risco partilhado pelos bancos centrais da zona euro no caso de eventuais perdas.

QUE TÍTULOS PODERÃO SER COMPRADOS PELO BANCO CENTRAL?
Os bancos centrais poderão comprar obrigações soberanas com maturidade de entre dois a 30 anos. 
À partida, os títulos a serem alvo do programa terão de ter um ‘rating’ de grau de investimento.
Portugal tem esse estatuto junto da DBRS, uma agência que é seguida pelo BCE, apesar de ainda não estar naquele nível junto da S&P,Moody’s e Fitch. 
No entanto, dívida de países que não tenham esses ‘ratings’ e que estejam sob programas de ajustamento também podem ser incluídos, como é o caso da Grécia. Além disto, o BCE irá incluir nas compras obrigações com taxas negativas, como acontece na dívida de países como a Alemanha, por exemplo. 
Ao comprar dívida a taxas negativas, o Eurosistema estará a pagar para deter esses títulos.

GRÉCIADe Fora até Julhoo BCE já tem dívida grega num volume que esgota as fronteiras definidas ontem por Dragui (o banco não pode comprar mais de 33% da dívida emitida pelo Estado)Assim, a Grécia só poderá vir a ser incluída no programa de compras em Julho, quando amortizar obrigações que são detidas pelo BCE.Até Julho a situação política grega deverá estar definida - o país só beneficirá das compras se aceitar um novo programa

COMO SERÃO DIVIDIDAS, POR TIPO DE ACTIVOS, AS COMPRAS DO BCE?
Antes de anunciar ontem o programa alargado de compras, o BCE já tinha em marcha um programa de aquisição de dívida titularizada e de obrigações cobertas no valor de dez mil milhões de euros por mês. 
A partir de Março, este ritmo aumentará para 60 mil milhões de euros por mês. 
No entanto, Mario Draghi não clarificou qual o peso que será dado à dívida pública e à dívida privada no programa de compras.

HÁ ALGUM LIMITE AO VALOR DE DÍVIDA DE UM PAÍS QUE O EUROSISTEMA PODE COMPRAR?
A proporção das compras por país dependerá da quota que cada um tem no capital do BCE. 
Portugal tem uma quota de 2,48% pelo que poderá beneficiar de compras no valor de 1,48 mil milhões por mês e de 28,3 mil milhões no total do programa, que abrange dívida pública e privada. 
No entanto, a estes valores deverá ser descontado o montante que o BCE detém em obrigações portuguesas compradas no pico da crise de dívida, que se situa entre dez mil milhões e 12 mil milhões de euros.
Mas à medida que esta dívida for vencendo, o BCE permitirá alargar o ritmo de compras até aos limites do programa. 
Para preservar a formação de preços nomercado, o Eurosistema não poderá comprar mais de 33% dos títulos de dívida de determinado país nem absorver mais de 25% de uma das emissões de dívida.

QUAIS OS OBJECTIVOS DO BCE COM O PROGRAMA ALARGADO DE COMPRA DE ACTIVOS?
Draghi justificou a colocação da artilharia pesada na linha da frente da política monetária da zona euro devido às expectativas de inflação mais baixas que o esperado, apesar das últimas medidas que já tinham sido tomadas pelo BCE. 
Com este programa, o banco central tenta aumentar a capacidade dos bancos em concederem crédito. 
Isto é, o BCE vai ao mercado e fica com títulos que são detidos pelo sistema financeiro.
Libertando esses títulos dos bancos, o BCE espera que o sistema financeiro canalize essa liquidez extra para a concessão de crédito de forma a haver mais investimento e crescimento, que se traduziria numa subida dos preços. 
O objectivo do BCE é que no médio prazo a inflação se situe abaixo mas próxima de 2%.

O NOVO PROGRAMA DO BCE SERÁ SUFICIENTE PARA ATINGIR OS OBJECTIVOS PRETENDIDOS?
Draghi referiu que os indicadores da inflação serão seguidos de perto e admitiu que o programa continuasse para lá de Setembro de 2016. 
E reconheceu que apesar do BCE poder ajudar à recuperação da economia europeia, o crescimento sustentado apenas seria conseguido se os governos fizessem reformas estruturais que fomentem o crescimento. 
A maior parte dos bancos de investimento também defende que para ter impactos significativos na economia real, o programa do BCE deve ter o apoio de reformas estruturais por parte dos países europeus. ■

Um sinal forte no combate à deflação que não garante crescimento

A ESTRATEGIA DE FRANKFURT
Luís Reis Pires, Rui Barroso  luis.pires@economico.pt
24 de Janeiro de 2015
O BCE não poder fazer tudo sozinho. 
A zona euro, os Estados--membro e a Comissão Europeia têm de fazer a sua parte.

O valor do programa anunciado ontem pelo BCE pode ser suficientemente ambicioso para puxar pelas expectativas de inflação e evitar a ameaça de deflação que paira sobre a zona euro. 
Já se vai ou não levar finalmente à retoma económica, essa é outra história. 
Os economistas contactados pelo Económico aplaudem a medida, mas lembram que não há milagres.

“O ‘quantitative easing’ não é uma bala de prata para os muitos problemas da zona euro, mas deve fornecer alguma ajuda ao crescimento, somando ao estímulo que já está a vir dos preços muito baixos do petróleo e do euro fraco”, diz Howard Archer, economista-chefe da IHS Global Insight para a Europa. 
O programa também deverá potenciar a confiança, “aumentando as expectativas de inflação e, dessa forma, reduzindo qualquer tentação dos consumidores de se retraírem nas compras, em antecipação de deflação sustentada”.

No que diz respeito a combater a ameaça de deflação que paira sobre a zona euro – que arrisca agravar a crise de dívida, tornando mais difícil que seja paga -, o ‘quantitative easing’ “parece mesmo ser uma das únicas medidas potencialmente eficazes no actual contexto”, nota Francisco Veloso, director da Faculdade de Economia da Católica.

Mas os seus efeitos no crescimento ainda são difíceis de prever, porque é preciso que os bancos passem para a economia real o dinheiro que vão receber das vendas ao BCE, algo que está longe de estar garantido. 
“Podemos levar a água, leia-se o dinheiro, à boca do cavalo, mas não podemos obriga-lo a beber”, resume Daniel Bessa, director-geral da Cotec e ex-ministro da Economia, que aconselha “muita prudência no que se refere à eficácia destas medidas”.

Samuel Rocha Lopes, professor da Universidade Nova e antigo economista do BCE, considera que a compra de dívida “é a medida certa”, mas “a altura é tardia”.
Acredita que alguns impactos do programa “serão imediatos”,mas “grande parte das medidas só terá efeitos no médio prazo”. 
E defende que, para resolver uns dos problemas do euro, que é “precisamente o desequilíbrio macroeconómico” entre os diferentes países, o BCE devia ter optado não comprar activos “unicamente seguindo a percentagem de capital de cada banco central nacional”,mas sim atender a factores como, por exemplo, a deflação em cada país, o endividamento do sector privado e a taxa de crescimento”.

Depois, há ainda o problema de o BCE não poder fazer tudo sozinho. 
A zona euro, os Estados-membro e as outras instituições como a Comissão Europeia têm de fazer a sua parte para superar a crise. 
É esse o alerta de Nuno de Sousa Pereira, presidente da Porto Business School, que admite que o ‘quantitative easing’ “é a única medida de política monetária que ainda pode ter algum impacto”, mas não terá sucesso sozinha. 
“É também necessário alterar as expectativas dos agentes quanto à evolução futura da procura e da solidez do projecto europeu”. 
É que “uma Europa sem estratégia não atrai o investimento” e isso “não está nas mãos do BCE”.

E há ainda quem acredite que mesmo os efeitos nos preços serão limitados. 
“A inflação deverá continuar baixa, apesar destas medidas. 
Para que subisse, seria necessário que a actividade económica acelerasse substancialmente, subissem os custos de energia ou a carga fiscal”, diz Filipe Garcia, da IMF - Informação de Mercados Financeiros. 
“E nenhum dos três factores parece ser provável no futuro previsível”, conclui.
■ com M.Q. e P.Z.G.

Banca vai ditar (in)sucesso do programa de Draghi em Portugal

Sem surpresas, mas com riscos, o presidente do BCE apostou todos os trunfos para evitar a deflação na zona euro e garantir crescimento económico. A compra de dívida pelo BCE é impulso precioso para esses países, Portugal incluído, mas o sucesso da estratégia de Marui Dragui vai depender muito da capacidade desses mesmos países em aplicar medidas e estímulos à economia
A ESTRATÉGIA DE FRANKFURT
Rui Barroso, Filipe Alves e Luís Reis Pires
rui.barroso@economico.pt
Liquidez Portugal poderá beneficiar de compras de dívida até 28,3 mil milhões de euros. 
Banca nacional avisa, contudo, que não lhe falta liquidez - o que falta são projectos de empresas saudáveis.

Como antecipado pelo mercado, Mario Draghi colocou ontem as fichas todas na mesa para evitar que a zona euro entre em deflação e para assegurar um crescimento sustentável da economia do bloco económico. 
Mas a probabilidade de sucesso da aposta de risco do BCE, que criou divisões entre os líderes europeus, será tanto maior quanto mais apoio tiver dos governos e do sector bancário.

Os bancos centrais do Eurosistema farão compras mensais de 60 mil milhões de euros entre Março e, pelo menos, Setembro de 2016, num total de 1,14 biliões de euros, ao abrigo dos programas de compra já existente e do novo programa alargado de compra de activos que inclui dívida pública (‘quantitative easing’ QE).

As compras terão uma proporção semelhante às quotas de cada país no capital do BCE. 
Portugal tem uma quota de 2,48% pelo que poderá beneficiar de compras de 28,3 mil milhões de euros, ou mais de 1,4 mil milhões por mês. 
Mas o montante deverá ser menor já que o BCE detém entre dez a 12 mil milhões de euros de obrigações soberanas no seu balanço, que serão descontados do valor global do programa.
No entanto, haverá limites ao montante de dívida que o BCE poderá adquirir, pelo que ainda não é claro que possam ser efectuadas compras na totalidade daquela proporção.

Banca nacional relutante em aumentar crédito apesar do QE

Mas apesar das injecções de milhares de milhões de euros no sistema financeiro nacional, a banca aparenta estar relutante em fazer passar esse dinheiro para a economia real. 
“Os bancos portugueses não têm problemas de liquidez para financiar as empresas. O problema não é de liquidez, mas sim de risco de crédito de um conjunto de PME altamente endividadas, que não serão financiadas pela banca comercial”, defendeu o presidente do Banco BIC, Mira Amaral. 
Em conclusão, o banqueiro considera que o programa do BCE “não vai resolver o problema dessas empresas”.

As posições mais recentes dos banqueiros portugueses são de que não há problemas na oferta de crédito, mas sim na baixa procura e na falta de qualidade
das empresas que solicitam financiamento. 
Apenas ponderam subir de forma significativa o crédito à economia, caso exista maior crescimento económico.

O presidente da Sociedade Financeira para o Desenvolvimento (SOFID), António Rebelo de Sousa, referiu que apesar do QE ser um passo positivo, o problema é que “os bancos têm de fazer uma gestão sensata do risco da carteira de crédito e muitas empresas não têm colaterais de qualidade para obterem financiamentos”.

Uma fonte de um banco nacional, que pediu para não ser identificada, até admitiu que “a medida é positiva para a economia europeia”. 
Realçou, no entanto, que, “no caso da banca portuguesa, o problema não é a falta de liquidez para financiar a economia, mas sim a existência de bons projectos que possam ser apoiados”.

Apesar disto, o presidente do Banco BiG, Carlos Rodrigues,considera que a banca nacional vai ter mais espaço para financiar a economia com melhores condições. Também o economista da IMF, Filipe Garcia, considera que “estas medidas são um convite à concessão de mais crédito”. 
Mas ressalva que “para tal é preciso que haja procura, o que não tem acontecido”.

Mesmo a nível da zona euro, Mario Draghi constatou que “o crédito às empresas não-financeiras continua fraco” e que um dos motivos para a utilização do programa alargado de compra de activos passa por “apoiar uma melhoria adicional nos fluxos
de crédito”.

O programa de compra de dívida visa libertar os balanços dos bancos de activos de forma a que estes tenham mais liquidez para apoiar a economia, fomentando o investimento, ajudando ao crescimento de forma a espicaçar as taxas de inflação.

Draghi considera que as medidas do BCE, no seu conjunto, “deverão fortalecer a procura e apoiar o crescimento da base monetária e do crédito e, dessa forma, contribuir para o regresso das taxas de inflação para níveis próximos de 2%.

Draghi apela aos esforços dos governos

O próprio BCE considera que apesar do programa alargado de compra de activos ser uma base para o crescimento sustentado da zona euro, tem de ser apoiado pelos governos europeus que têm folga orçamental.

“As políticas orçamentais devem apoiar a recuperação económica, ao mesmo tempo que asseguram a sustentabilidade da dívida em conformidade com o Pacto de Estabilidade e Crescimento, que permanece uma âncora para a confiança”, referiu Draghi. 
Mas deixou um alerta: “Seria um grande erro se os países considerassem que a presença deste programa como um incentivo para a expansão orçamental”.

Um dos receios dos economistas com o programa do BCE é que desincentive o ritmo de reformas nos países do euro. 
“O risco dos Estados-membro adiarem as reformar num contexto de custos de
financiamento muito baixos é, na nossa perspectiva, real”, avisaram os economistas do Barclays.
A perspectiva é partilhada pelos países do Norte da Europa, que utilizaram esse argumento para se opor a mais medidas de estímulo
por parte do BCE. ■


AS CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS DA DECISÃO DE MARIO DRAGUI

Preços vão subir
Agir sobre os preços é a principal intenção de Mario Draghi com o ‘quantitative easing’. 
Com a zona euro à beira da deflação, o que o BCE quer é aumentar os preços. 
Este efeito é conseguido através de um encarecimento das importações. 
Mas também através de uma gestão de expectativas, ou seja, perante a ameaça de deflação as famílias podiam continuar a adiar decisões de compra à espera que os preços descessem. 
Agora sabem que é melhor comprar já o que necessitam. 
Por outro lado, o BCE espera que o sistema financeiro canalize essa liquidez extra para a concessão de crédito de forma a haver mais investimento e crescimento, que se traduziria numa subida dos preços.

Depósitos menos atractivos
As reduzidas taxas de juro e o euro barato, que o BCE quer promover, reduziram para quase nada a rentabilidade dos depósitos, o produto de poupança favorito dos portugueses. 
Por outro lado, as famílias que investiram as suas poupanças na Bolsa verão aumentar a sua riqueza financeira no curto e médio prazo, já que a história demonstrou que as operações de ‘quantitative easing’ ajudam a impulsionar as bolsas. 
Por outro lado, investir em dívida pública também poderá ser uma opção interessante para as famílias já que se prevê um aumento dos preços.

Menos austeridade
Com os juros da dívida pública a descer – uma tendência que já se vinha a verificar há vários meses – o Governo poderia sentir-se mais à vontade para, em ano eleitoral, aproveitar esta margem para aliviar algumas das medidas de austeridade impostas. 
A descida que se tem vindo a verificar nos prémios de risco resulta do facto de os mercados há muito anteciparem esta medida do Banco Central Europeu.

Remessas dos imigrantes
O euro caiu ontem para o mínimo de 11 meses, na casa dos 1,15 dólares. 
Para os imigrantes que enviam remessas em dólares para os seus países de origem, um euro mais barato é uma má notícia, já que o dinheiro que mandam tem menos valor noutras partes do mundo.

Crédito à habitação
A Euribor, o principal indexante da maior parte dos créditos à habitação em Portugal, será uma das mais afectadas pelo programa de compra de dívida do BCE. 
Apesar de os mercados se anteciparam a estas decisões e o nível da Euribor já estar em níveis historicamente baixos, novas descidas são uma boa notícia para as famílias portuguesas já que no momento de revisão das taxas de juro verão o custo dos empréstimos descer.


Mercado imobiliário
Com o plano de Draghi é expectável que o mercado imobiliário tenha um impulso. 
Se a banca obtém liquidez nos mercados financeiros de forma mais vantajosa poderá impulsionar o negócio de concessão de crédito aos cidadãos. 
Por outro lado, a liquidez que chegar aos grandes fundos de investimento poderá acabar investida em imóveis para rendimento, já que um edifício arrendado é um activo seguro e rentável para os grandes investidores. 
Em Portugal, o sector já está a antecipar que 2015 seja um ano de crescimento, quer em número de casas vendidas, quer em termos do valor das transacções.

Mais turismo e exportações
Outro dos efeitos de um euro mais barato, na sequência da decisão do BCE, é por um lado tornar as exportações mais competitivas, o que para as empresas é uma boa notícia e, em última análise, até se pode traduzir num aumento do emprego. 
Por outro lado, os países europeus também se tornam mais atractivos para os turistas de países fora da zona euro. 
Mas para os cidadãos da zona euro, viajar para fora da Europa fica mais caro.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Preço dos combustíveis vai subir. E o culpado é... Mario Draghi

Para o consumidor comum, o pacote de medidas anunciado por Mario Draghi pode representar um aumento de pressão sob a sua carteira. 
É que com a impressão de moeda, o euro está a desvalorizar, encarecendo os produtos importados 
Expresso 
9:34 Sexta feira, 23 de janeiro de 2015
O programa de compra de dívida soberana, anunciado na quinta-feira pelo Banco Central Europeu, vai ter impacto nos preços da gasolina e do gasóleo, que deverão aumentar já na próxima segunda-feira cerca de um cêntimo por litro.

O Banco Central Europeu anunciou que vai ligar as impressoras de notas para, a partir do próximo mês de março e até setembro de 2016, comprar 60 mil milhões de euros por mês em dívida pública e privada, com a ajuda dos bancos centrais nacionais dos Estados-membros. 
A medida anunciada por Mario Draghi rapidamente lançou um onda de otimismo nos mercados, que continua esta manhã a influenciar as bolsas europeias.

Contudo, para o consumidor comum, este pacote pode representar um aumento de pressão sob a sua carteira. 
É que com a impressão de moeda, o euro está a desvalorizar, encarecendo os produtos importados.

A meio da tarde de hoje (15h50m), o euro estava a desvalorizar 0,82%, valendo 1,1271 dólares, um mínimo desde 2013. 
Por isso, mesmo que o barril de petróleo mantenha a tendência de queda das últimas semanas (apesar de, hoje, o barril de BRENT estar a negociar em alta, acima dos 49,04 e a subir 1,07% dólares), os preços dos combustíveis deverão sentir um agravamento já nos próximos dias. 

Segundo o "Jornal de Negócios", o aumento rondará um cêntimo por litro de gasolina e gasóleo. 
O Expresso contactou a Galp, que, por enquanto, se limita a confirmar que haverá atualização de preços na próxima segunda-feira. 
Só ainda não sabe quanto, já que o euro se mantém em forte desvalorização. 
Mas é certo que "os preços vão subir", diz ao Expresso fonte da empresa. 

Este aumento será o primeiro desde novembro do ano passado, altura em que a queda do valor do barril de brent passou a ter impacto nas descidas consecutivas dos preços da gasolina e do gasóleo (descontando o aumento de quatro cêntimos, no início de 2015, referente à fiscalidade verde e às taxas rodoviárias).

Notícia atualizada as 15h50  

Costa congratula-se com anúncio de Draghi. E lembra que Passos era contra

Cristina Figueiredo 
17:58 Quinta feira, 22 de janeiro de 2015

Líder socialista considera que as medidas anunciadas esta quinta-feira pelo governador do BCE representam "um ponto de viragem" na política económica europeia. 
E afirma que o Governo português está isolado "interna e externamente".

António Costa congratulou-se com o anúncio de Mario Draghi de que o BCE vai comprar dívida pública europeia ao ritmo de 60 mil milhões por mês. 
"É um ponto de viragem na economia europeia", considerou o secretário-geral socialista, que vê nas palavras do governador do Banco Central Europeu a confirmação de que "as políticas de combate à crise falharam" e que "a submissão do Governo português a esta estratégia  foi, e é, contrária ao interesse nacional".

Costa recordou que, em duas ocasiões, o primeiro-ministro se mostrou contrário à compra de dívida pública por parte do BCE. 
Da primeira vez, Passos Coelho considerou que isso seria "um péssimo sinal". 
Da segunda, mostrou-se contrário, considerando que a economia europeia deveria recuperar por si própria.

"O Governo português está isolado interna e externamente", concluiu António Costa.